A Linha de Pesquisa mantém coerência com a Área de Concentração do Programa de Pós-Graduação em História da UFRPE (PGH-UFRPE) e dedica-se a ser um espaço de produção histórica e historiográfica regional, nacional e internacional, em diferentes temporalidades e espacialidades, compreendendo essas categorias como dimensões constitutivas da história social, cultural, intelectual e política. Nestes campos da história, a linha compreende a dimensão do social, do cultural, das ideias e da política no sentido amplo, em sua conexão com temáticas que privilegiam desde as práticas discursivas às práticas políticas e culturais coletivas, individuais ou institucionais, atravessadas por diversas formas de fazer e dizer, singulares a temporalidades e espacialidades próprias. Também percebe o cultural no sentido mais estrito da abordagem da cultura judicial, por exemplo, bem como no trabalho com os registros textuais e com a circulação do pensamento. Trabalha as formas históricas de manifestação do poder e dos contrapoderes, aborda temas e problematiza a multiplicidade do campo político, a formação dos estados nacionais em diversos espaços e temporalidades, bem como a atuação de agências de controle social e suas relações com o Estado e a sociedade, a participação dos indivíduos e do coletivo nos processos de construção democrática, nas formas de governabilidade, na diversidade partidária e nas manifestações sociais. Além destes campos, a linha aborda as formas de mobilização pelos direitos humanos e a constituição de cidadanias, assim como na investigação das rupturas, insurgências e contracondutas coletivas ou individuais, em diálogo profícuo com o presente. Ainda no campo da Cultura, a linha promove o estudo das religiões, dos movimentos religiosos, das práticas religiosas e religiosidades, além da produção escrita de teólogos e juristas no movimento histórico inicial de total convergência e posterior afastamento, no campo das ideias.  No campo da história intelectual, fomenta investigações acerca da história das ciências, dos diferentes programas científicos e das práticas intelectuais e savantes de diferentes temporalidades e espaços. O que possibilita o estudo de fontes históricas de diferentes proveniências, literárias e epistolares, bem como outros documentos não tão administrativos, mas mais autorais.

Também acolhe investigações no campo da história social e política das instituições, compreendendo-as como formas historicamente situadas de controle e regulação social, em sua dimensão relacional, processual e conflitiva. Privilegia trabalhos que enfoquem as interações entre lógicas institucionais, agentes políticos, matrizes discursivas e contextos históricos concretos, articulando-as a dinâmicas sociais mais amplas, especialmente aquelas atravessadas por marcadores sociais da diferença. Nesse âmbito, contempla igualmente estudos sobre as práticas de governo e as dinâmicas de poder nas sociedades coloniais americanas, com ênfase na atuação dos governadores coloniais e nas tensões entre poderes locais e poder central metropolitano. Abrange, ainda, investigações sobre as redes de contrabando colonial e as formas ilícitas de circulação mercantil, bem como sobre as insurgências e revoluções coloniais, entendidas como expressões dos conflitos institucionais, políticos e sociais inerentes à experiência imperial nas Américas. Já no campo da política cultural e da cultura política, a linha também abriga pesquisas da história do colonialismo português em África, abordando a política educativa colonial e o fim do império português em África.

Referências

ARENDT, Hannah. Liberdade para ser livre. Tradução e apresentação de Pedro Duarte. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2018.

CANCLINI, Néstor Garcia. Política Cultural: conceito, trajetória e reflexões. Organizada por Renata Rocha e Juan Ignácio Brizuela, Salvador: EdUFBA, 2019.

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem/Teatro de sombras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CANIZARES-ESGUERRA, Jorge. Como escrever a história do novo mundo: histórias, epistemologias e identidades no mundo atlântico do século XVIII. São Paulo: Edusp, 2011.

CERTEAU, Michel de. A cultura no plural. Campinas: Papirus, 2008.

ESPADA LIMA, Henrique. A micro-história italiana: escalas, indícios e singularidades. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 40 ed., Petrópolis: Vozes, 2012.

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