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Linhas de Pesquisa

Área de Concentração

A área de concentração “História Social da Cultura Regional,” adotada pelo PGH, se insere no esforço de regionalização da produção historiográfica nacional promovido na última década. O PGH direciona suas pesquisas para a análise das bases documentais localizadas no seu entorno e busca a interpretação de temas e processos históricos da região em que está inserido. Mas sempre estabelecendo as conexões destas fonte, temas e processos históricos com os quadros mais gerais da História do Brasil e do Mundo.

Nesse contexto, temos como horizonte comum das pesquisas do Programa a articulação das referências teóricas e metodológicas da História Social e da História Cultural a dimensão regional dos eventos e processos históricos. Nossas linhas de pesquisa estão articuladas pelo entendimento de que as dinâmicas sociais e suas instituições são construções culturais dos grupos humanos. Pelo entendimento de que o estudo histórico desses objetos culturais permitirá interpretar as rupturas e continuidades das práticas e das instituições sociais.

Da História Social incorporamos os referenciais que permitem investigar os grupos sociais e as instituições de poder. Nos interessa desenvolver pesquisas que observem as formas de organização da sociedade tais como grupos, classes, corporações e outros, mas também interpretar as suas relações de poder observando as instituições e a cultura política em diferentes espaços regionais e temporalidades.

Da História Cultural acionamos a abordagem e as ferramentas teóricas que permitem investigar as práticas e as representações socialmente articuladas pelos agentes sociais em diferentes tempos e espaços. As noções de agentes sociais, de campo simbólico, de produção e reprodução de sentidos apontam para a percepção das rupturas e continuidades de processos históricos.

A História Social da Cultura, por nós assumida, observa os processos históricos como construções culturais socialmente localizadas. Busca perceber as instituições sociais, as práticas e representações como construções culturais de grupos determinados, observando suas experiências e suas estratégias de construção identitária.

Ao mesmo tempo, definimos a região como o espaço geográfico onde é possível perceber uma rede de relações, conexões e submissões a um mesmo padrão social e cultural. Os temas e objetos históricos, estudados na dimensão regional, nos permitem observar tanto as suas características internas, como a sua distinção em relação a outros espaços.

Assim entendida, a área de concentração em História Social da Cultura Regional define como horizonte mais amplo de pesquisas os grupos sociais, os objetos culturais e as instituições percebidos na escala da região.

Busca perceber como os padrões culturais e as instituições sociais são criadas e transformadas na dimensão temporal. Procura interpretar as dinâmicas internas dos grupos sociais, mas também das estratégias de produção e reprodução das estruturas sociais. Investiga a historicidade das instituições bem como dos sistemas simbólicos, dos costumes, das crenças, das artes e demais expressões culturais.

Essa área de concentração se divide em três linhas de pesquisa:

 

Linhas de Pesquisa

Cultura, Patrimônio e Memória

A linha de pesquisa Cultura, Patrimônio e Memória entende o Patrimônio Cultural e a Memória Social como o conjunto de objetos culturais, materiais e imateriais, reconhecidos como portadores de significados identitários de determinado grupo social.

Assumimos as referências da História Social da Cultura, também entendida como História Cultural das práticas sociais, que utiliza do conceito antropológico de cultura como o processo de construção e significação simbólica dos objetos materiais e imateriais incorporados à experiência humana.

Diversos estudos históricos apontam que os objetos do patrimônio cultural são historicamente construídos, transformados e operados pelos agentes sociais tendo em vista a produção ou reprodução das memórias sociais. Assim entendemos como patrimônio cultural os objetos culturais selecionados por determinado grupo social como representativo do seu passado comum.

Investigações históricas também mostram que, para consolidar e difundir as memórias sociais, os agentes selecionam lembranças que levam a esquecimentos. Assumimos a memória social como o conjunto de representações operadas pelos agentes sociais e instituições políticas para a construção de uma representação do passado.

Com base nesses conceitos de Cultura, Memória e Patrimônio - e a relação entre eles - a linha de pesquisa investiga a historicidade dos processos de seleção de objetos culturais, a sua transformação em patrimônio cultural, e a construção, transformação e representação da memória social das comunidades, dos objetos e processos historicamente constituídos.

Considerando que as práticas de patrimonialização e de musealização são historicamente determinadas as pesquisas da linha buscam identificar a estreita relação existente entre a seleção de objetos como patrimônio cultural e as disputas por hegemonia entre as diversas representações do passado.

Nos interessam projetos de pesquisa que explorem temas como:

a) A análise das características particulares de bens do patrimônio cultural e/ou da memória social – cidades, territórios, edificações, paisagens, festas, rituais ou coleções entre outros – focando sua historicidade, seu processo de significação, formas de transmissão, de seleção.

b) O estudo do papel desempenhado pelos objetos do patrimônio cultural e/ou memórias sociais – narrativas do passado, objetos da cultura material ou manifestações populares – na construção das identidades de grupos sociais como comunidades locais ou étnicas e suas manifestações tradicionais, entre outras.

c) A análise das políticas públicas e ações de grupos sociais voltadas a preservação do patrimônio cultural e da memória social – artefatos, práticas, festas, coleções, sítios históricos, entre outros – e suas implicações na produção e reprodução das representações sociais sobre o passado e a construção das identidades sociais.

d) Analisar os processos de patrimonialização e musealização, tais como o tombamento, o registro de bens culturais, a criação de museus e a promoção de políticas públicas, práticas de conservação, documentação, pesquisa e comunicação dos bens culturais realizados em diferentes suportes e instituições.

e) Descrição dos agenciamentos e representações do patrimônio cultural em instituições museais, processos de musealização e de educação patrimonial, analisando as violências simbólicas que estimulam tanto o esquecimento, quanto a construção de memórias e a reelaboração de pertencimentos.

f) Estudo das relações entre as práticas e representações do patrimônio cultural, do Estado e do campo acadêmico, analisando a própria constituição do campo patrimonial no Brasil em suas diversas vertentes .

Sinteticamente a linha se interessa em pesquisas ancoradas na História Cultural em suas diferentes abordagens teóricas e estratégias metodológicas que tenham o Patrimônio Cultural e a Memória Social como objeto de reflexão teórica ou mesmo como campo de intervenção.

 

Docentes Orientadores da Linha:

Política, Instituições e Identidades

A Linha de Pesquisa Política, Instituições e Identidades se propõe a desenvolver pesquisas na interface da história e da historiografia que versem sobre os conflitos políticos, culturais e religiosos entre diversos grupos sociais no esteio da sociedade escravocrata, bem como na configuração dos estados democráticos ou autoritários, das políticas institucionais de coerção e normatização que alcançam as diferentes infâncias homens, mulheres e povos colonizados de expressão portuguesa, instituindo discursivamente as representações sociais e identitárias.

Esta linha de pesquisa se propõe a estudar os seguintes temas/objetos:

• Surgimento, estruturação e funcionamento das instituições punitivas e de controle social;

• História e historiografia das religiões, seus representantes e instituições;

• Intelectuais, cultura e sociabilidades;

• Escravidão no Brasil, abolição da escravidão e as experiências do pós-abolição;

• História das infâncias, movimentos sociais e das políticas dos direitos humanos de crianças e adolescentes;

• História do autoritarismo no Brasil e em Portugal e seus entrelaçamentos com a África nos séculos XIX-XXI;

• Estudos dos movimentos feministas, das mulheres e das relações de gênero sob enfoque da teoria crítica feminista;

• Estudos das representações de identidade de gênero LGBTTI’s na perspectiva da teoria queer;

• Estudo que articula as relações entre sujeito, discurso e ideologia, bem como relações entre linguagem, discurso e sociedade.

Docentes Orientadores da Linha:

• Alcileide Cabral do Nascimento;

Carlos André Silva de Moura;

Giselda Brito Silva;

Humberto da Silva Miranda;

Maria Emília Vasconcelos dos Santos;

Natanael Duarte de Azevedo;

Tiago da Silva Cesar;

Vicentina Maria Ramires Borba;

Wellington Barbosa da Silva;

 

Ensino de História e Cultura Regional

No Brasil, desde a década de 1980, pesquisadores recortam temas de pesquisa incorporando referências teóricas e estratégias metodológicas oriundas da área da História e da Educação para pensar o que seja a particularidade do Ensino de História.

Sinteticamente podemos dizer que o campo de investigação do Ensino de História se apropria de marcos teóricos e metodológicos utilizados pela pesquisa histórica para pensar como transmitir a percepção dos processos temporais. Busca referências para utilizar as fontes históricas, a crítica documental, a diacronia e sincronia no contexto do ensino. Busca desenvolver estratégias e materiais didáticos que potencializem a difusão dos conhecimentos sobre o passado das sociedades para o público não acadêmico.

Ao mesmo tempo, busca ferramentas conceituais e analíticas do campo da Educação para entender os processos de formação do sujeito social e de seleção curricular. Com essas referências problematiza e interpreta os processos educativos formais e não-formais desnaturalizando práticas e problematizando seus resultados formativos.

Mas o campo do ensino também se apoia em referências de outras áreas do conhecimento. A exemplo, da Psicologia cognitiva busca teorias explicativas dos processos cognitivos capazes de elucidar como se dá apropriação do conhecimento. Da Antropologia cultural e da Arqueologia traz o conceito de cultura para perceber o processo de construção das práticas educativas. Da Sociologia da Cultura incorpora o debate sobre as cultura escolar, assim como os estudos da reprodução cultural feitos pela sociologia da educação.

Frente a esta amplitude de abordagens faz-se importante delinear os recortes possíveis de se constituir em projeto de pesquisa em Ensino de História no interior de um programa de pós-graduação em História que tem como área de concentração a História Social da Cultura Regional.

Uma primeira abordagem pertinente se constitui na problematização dos conteúdos de História inseridos no contexto escolar e não-escolar. São investigações sobre os currículos escolares, mas também das narrativas sobre o passado propostas por museus, livros, filmes e outras práticas e suportes.

Uma segunda abordagem é a reflexão sobre as estratégias e recursos didáticos para a transmissão das informações históricas (mas também de outras disciplinas das humanidades como sociologia, filosofia, artes e literatura na sua interface com o currículo de história) no contexto escolar e não-escolar. São problematizações sobre a prática docente, os materiais didáticos, as estratégias de ensino utilizadas na escola, nos museus e outros espaços de difusão do conhecimento histórico. Neste aspecto são importantes os estudos sobre a metodologia da Educação Patrimonial, as reflexões sobre a educação em Museus, as novas tecnologias da comunicação e as diferentes linguagens para o ensino da história.

O campo do Ensino de História também olha para a história do ensino de história em estreito diálogo com o campo da História da Educação. Aqui percebe-se os significados e objetivos (explícitos ou ocultos), dos conteúdos e dos métodos de transmissão do conhecimento histórico em diferentes contextos temporais e sociais. Assim se pergunta o que foi ensinar história em determinado momento histórico. Mas também que significou ensinar história para determinados grupos sociais.

De forma ampla podemos indicar que os projetos de pesquisa sobre o Ensino de História, ligado ao tema da História Regional, selecionam temas da historiografia regional e desenvolvem estratégias didáticas que os valorizem. O que pode ser feito pela sua localização e inserção no cenário da história nacional e geral. Mas, sobretudo, pela valorização desses temas da história regional, em contexto escolar e não-escolar, como elementos de formação identitária dos grupos sociais.

Esta linha tem como temas de pesquisa:
  • Currículos de ensino de história em diferentes níveis e modalidades de ensino;
  • Ensino escolar de história;
  • Ensino de História em espaços museológicos;
  • Ensino de história e produção de identidades sociais;
  • Mídias, Novas Tecnologias e material didático para ensino de História;
  • Ensino de História em EAD;
  • Metodologia do ensino e fontes documentais;
  • A diversidade cultural e sua transposição didática;
  • Construção de material didático através dos documentos históricos;
  • A Educação patrimonial nas escolas.

Docentes Orientadores da Linha:

Estado, Sociedade e Cultura

A linha de pesquisa “Estado, sociedade e cultura” se define pela relação dialógica travada entre as diferentes manifestações da vida social na época moderna e o Estado nascente naquele período. O EstadoModerno,tal como o abordamos, baseia-se na crítica ao que antecede o Estado? liberal e engloba algumas reflexões acerca dos modelos explicativos das monarquias europeias particulares e também de outras experiências governativas, de tipo corporativas (HESPANHA, 1994), como de Portugal, compósitas (ELLIOT, 2006), como a da Espanha, e a formação de uma República de Províncias nos Países Baixos do Norte (ISRAEL, 1995).

Entendemos a sociedade deste período levando em conta três condições, a saber, a estamental ou de ordens, a confessional e a laboral. A estrutura social do período é constituída por ordens e baseada em conceitos como o de qualidade, com base em mecanismos mais simbólicos do que materiais (BOURDIEU, 1997), e definindo o indivíduo pela ascendência e, eventualmente, pelos méritos (OLIVAL, 2001). Pelo fato do Estado Moderno não se servir da identidade nacional e linguística (Pátria), mas sim das identidades confessionais –é antes de mais nada um Estado cristão – a Igreja surgia como ferramenta que, no caso português, aglutinava as partes desagregadas do mundo (BOXER, 2001).

Finalmente, nas expansões, sobretudo ultramarinas, destes modernos Estados, formas de exploração da natureza e do trabalho desenvolveram-se; isso fez com que muitas das sociedades tenham obtido característicassingulares, como é o caso das sociedades escravistas que promoveram migrações de várias partes da África para a América modificando indelevelmente o perfil demográfico destas regiões no do Mundo Moderno. Assim, da Ásia à América, o processo de expansão e colonização aproximou, pelo comércio, regiões muito distantes entre si (ALENCASTRO, 2000).

Nosso olhar, portanto, se dirige para estes mundos conectados, de trocas dinâmicas de todas as ordens, inclusive de ideias, que é caracterizado pela convivência de oposições, centralização/descentralização, unidade/pluralidade, tudo isso coexistindo num mesmo corpo. Da circulação intensa de pessoas e de objetos, no refazer constante de suas práticas (SUBRAHMANYAM, 1993; GRUZINSKI, 2000).

Para trabalhar com essa relação do particular/regional Com o mais global fundado na estrutura do Estado Moderno, atualizamos para a realidade específica da época moderna, ocidental, a noção de Cultura Política, levando em conta o que Serge Bernstein definiu, globalmente, como “uma espécie de código e de um conjunto de referentes, formalizados no seio de um partido ou, mais largamente, difundidos no seio de uma família ou de uma tradição políticas” (BERNSTEIN, 1998, p. 350). Contudo, cumpri-nos observar, a natureza peculiar e particular dos Estados territoriais do período moderno que decorre das seguintes características: a emergência de exército regular e corpo diplomático, ambos permanentes, a formação de uma burocracia aglutinadora do poder na figura de um rei que descendeu do grupo social da nobreza e que se relacionava com esse estamento ao modo de um árbitro e não de um tirano (ELIAS, 1993).

Constituem-se ainda em elementos a unificação do sistema jurídico, a unificação do sistema fiscal e o recurso ao fiscalismo e à tributação para manutenção e afirmação de tal centralismo, o uso de uma política mercantilista (regulação da produção – ainda não industrial – e do comércio em vistas ao aumento da renda real empregada na guerra e na expansão territorial). Assim sendo, o que nos aglutina nessa linha de estudos em torno do Estado Moderno, da sociedade de ordens, escravista e mestiça e das culturas políticas é refletir sobre aCultura política no Antigo Regime, visto que a referência cronológica atribui nova significação ao conceito que se mostra preciso, do ponto de vista cronológico, e mais abrangente, do ponto de vista das possíveis e diferentes abordagens analíticas a serem empregadas.

Docentes Orientadores da Linha: